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Resistência & Insurreição
O ministério da cultura orgulhasamente acabou de reportar negociata do investimento de 24,5 milhões de euros. Um valor que à partida seria fantástico, para este nem-sempre existente ministério, que geralmente existe a pão e água. Contudo, o que realmente aconteceu foi uma obra financiada pelo grupo Visabeira, que passou a ter um hotel no Mosteiro de Alcobaça.
O grupo Visabeira é um conglomerado detentor de entidades em várias áreas. Deteve uma participação minoritária na Portugal Telecom, e ainda hoje detém meios de comunicação em Angola e Moçambique. Entre as áreas de participação deste conglomerado, é o turismo, aquele mais relevante ao tema, e que decide representar com a seguinte imagem no seu site oficial.

Muito nos dizem do fantástico trabalho das parcerias estatais com os grupos do maior sector económico português: o turismo. Pelos vistos, o plano além de transformar Portugal de norte a sul numa patética colónia de férias para os ricos do centro europeu, passa também por prostituir todos os edifícios, centros de cidades, e outros locais históricos ao turismo. Tudo com fantásticas fachadas de hóteis e cinco estrelas com arquitectos de renome. Este novo hotem de "cinco estrelas" vem com a assinatura de Souto Moura com o adorável título de "Montebelo Mosteiro de Alcobaça Historic Hotel".
A usurpação cultural para o turismo é uma obra de longa data em Portugal. E não é feito só pelo ministério da cultura, tanto que o ministério da educação teve grande impacto na criação de uma mão-de-obra capaz de falar a língua universal: o inglês, de forma a todos podermos ser bons hospedeiros dos estrangeiros que para cá vêm dar uns trocos à meia-duzia de conglomerados do turismo, enquanto nós perdemos acesso à habitação, às nossas cidades, e agora até aos nossos edifícios históricos.