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Resistência & Insurreição
Com o arranque do campeonato mundial da FIFA no Catar, finalmente se ouvem vozes de protesto e boicote ao crime humanitário que se cometeu na construção dos estádios. Ouvem-se da forma mais corporativa, patética e apática possível: com os fãs a verem os jogos, a comprarem bilhetes, e a limitarem-se a fazer de conta que querem saber das violações dos direitos humanos.

Basicamente, o que ouvimos há dias da boca de Marcelo Rebelo de Sousa é palavra de ordem no que toca a este ponto: hipocrisia - real absoluta hipocrisia.
A Amnistia Internacional mencionada acima, chegou a reportar números obscenos de mortos. Números que estão em absoluto limbo interrogativo, já que determinar a veracidade desses alegados números é basicamente impossível sem o estado do Catar, a FIFA e as empresas associadas fornecerem directamente a informação. Algo que não farão.
Independentemente do número, isto não é uma questão de mortos per se. É uma questão de crimes laborais acima de tudo. Milhares de pessoas foram importadas do terceiro mundo para o Catar, mantidos lá com um sistema de visas especialmente opressivo, com horários e condições obscenas, leia-se feitos em literais escravos. Isto tudo para fazerem um circo para o primeiro mundo se entreter durante uns meses.
É um espectáculo do sofrimento, e cada estádio e instalação no Catar não é mais que a solidificação e cristalização dele. Não é possível criticar, ou sequer incomodar o regime que o fez, bem como a instituição corruptamente podre que é a FIFA a verem-se os jogos. A única forma de cuspir e rejeitar o que foi feito, e tentar evitar que isto se repita no futuro é o absoluto boicote ao evento.