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Resistência & Insurreição
Num mundo em que a (recém chegada) cadeia de hipermercados Mercadona é aplaudida por dar salários de 1000 €, que afinal são 866 € mensais, porque pagam "em duodécimos", a corrida ao esgoto salarial teve agora a entrada da Sonae com um prémio natalício de 500 €. Nada mau, à partida, pensa o comum mortal, pena que não seja dinheiro mas mero crédito na loja onde são escravizados.

Em relação a isto ouve-se como a maior defesa que os "500 € assim são sem impostos". Ora bem, então expliquem-nos lá onde anda a tão amada eficiência privada que não foi capaz de fazer uma coisa tão básica como arranjar um contabilista para desencantar o valor do bónus bruto que resultaria em 500 € líquidos? Muito elusiva esta eficiência sempre que é para dar uma migalha ao trabalhador.
No meio disto falamos da cadeia que não sabe o que são lucros excessivos, o que admitidamente faz sentido no capitalismo desenfreado, e ainda assim justifica não pagar mas meramente dar créditos aos seus trabalhadores. O problema aqui é muito similar ao pagamento de subsídios de alimentação em cartão, mas ainda mais exacerbado:
Noto que este tipo de prática é ilegal em certos países, e por boa razão, mas tenho de sublinhar que isto recai num circo muito similar aos 125 € do "Costa-bónus" que recebemos em outubro/novembro. Esse dinheiro em vez de servir para dar poder de compra a seja quem for, ou sequer servir de penso à inflação, é re-injectado em quem tem proveito dela. Os 125 € ainda a serem mais perversos, porque era dinheiro do estado, mas pelo menos esses podiam ser gastos em qualquer lado, ou para os mais felizardos, potencialmente nem o gastar: se bem que ainda estou para ver alguém a quem esta ilusão se aplique, já a ilusão dos 500 € em cartão irá estalar que nem verniz em janeiro quando os salários não actualizarem com a inflação, e houver cortes salariais generalizados.